28.11.05


Mudei.
Por que sim.


Clique Aqui!


Até mais. =)

23:31

20.10.05


Peraí que eu já volto

08:23

30.7.05


Capítulo 162 - Pedro Hélio, a barata da caixa de fósforos


Pedro Hélio era uma barata macho que vivia numa caixa de fósforos. Apesar de ser uma barata de respeito, cumpridora da lei e da ordem, era meio cabeça-quente. Quase sempre se metia em alguma briga e quase sempre se arrependia depois. Também pudera, era motivo de chacota entre os seus amigos só por que, veja você, morava numa caixa de fósforos!
-Cuidado pra sua casa não pegar fogo! - dizia a barata Martins, que morava dentro do ralo do banheiro.
-O médico disse que o Pedro Hélio precisava de vitaminas, mas ele não quis destruir a casa dele! - brincava a barata Lopes, que era hipocondríaca.
-É. - concordava sempre a barata Figueira, que não era uma barata de opinião.
Mas Pedro Hélio não tinha outra escolha. Além do mais, já tinha se acostumado a viver ali. A sua casa de caixa de fósforos era toda decorada com cores quentes e num canto havia uma cama feita de palitos. Ele era uma barata feliz até. Mas sentia falta de alguém para aquecer as noites frias.
Paula Helena era uma garota quente. Digo, uma barata quente. Uma barata fêmea de fazer qualquer um perder a cabeça. Pedro Hélio a conheceu num clube noturno, o "Fiat Lux Jass Club". Ele costumava tocar saxofone com a sua banda aos domingos. Paula Helena curtiu o som e foi falar com Pedro Hélio depois do show.
-Tens fogo? - perguntou ela com um cigarro na mão.
Combinaram de passear no parque numa quarta-feira à tarde. Era um dia ensolarado de piquenique. Disfarçado de formiga-operária-padrão, Pedro Hélio roubou um quindim de uma cesta alheia. Paula Helena se apaixonou. Marcaram suas inicias dentro de um coração no tronco de um pau-brasil.
¿Você incendeia meu coração¿, escrevia ele nas poesias de amor que fazia para ela. Era verão. Paula Helena se mudou para a casa de caixa de fósforos. E tiveram filhos e a casa ficou pequena. Pedro Hélio, agora pai de família, arranjou um emprego no corpo de bombeiros e eles puderam se mudar para uma caixa de sapatos no canto do quarto onde o sol bate todas as manhãs e ninguém mais desrespeita o Pedro Hélio. Dizem à boca-pequena que a paixão dos dois já esfriou. Mas isso é fofoca pra uma outra história.

15:40

5.6.05


Capítulo 161 - O Fim


Há dias eu agonizava em cima daquela cama. Deseja qualquer coisa que não fosse o tédio daquele quarto de hospital, até mesmo a morte. Os familiares e poucos amigos que me visitavam nada podiam fazer a não ser esperar. Esperar.

O curioso é que eu nunca fui mesmo um desses sujeitos que adoram a vida. Passei anos e anos fazendo todos os dias as mesmas coisas. A mesma rotina de sempre. E agora eu não queria morrer, queria voltar à minha velha vida rotineira.

Foi numa madrugada fria. Nem tive tempo de chamar sei lá quem que tava junto comigo no quarto. Nem tempo de sentir dor.

Dizem que quando você morre a sua vida inteira passa na frente dos seus olhos em um segundo. Dizem que você vê uma luz linda. Dizem que de repente tudo faz sentido. Eu não vi nada. Nada fazia sentido. Era tudo preto, tudo quieto. Aí sim eu vi uma luz. Era uma luz laranja. Um ponto de luz laranja. Um ponto e outro ponto depois. E vários outros pontos. E todos eles formavam uma letra. E todas as letras formavam uma palavra. E todas as palavras, uma frase. Uma frase laranja no meio daquela escuridão toda.

"Sua vida já pode ser desligada com segurança"

E só então eu entendi.

13:17

6.5.05


Capítulo 160


Testando.

Um, dois, três, testando.

E era uma vez tudo. O silêncio, o vácuo, o escuro. E tudo agora existia. E tudo era. Cor, som, coisa. Casa, gosto, flor. Dor, amor, rimas. Sol, lua, infância.

Rompantes poéticos. Histórias que fugiram. A vida vivida, a vida cansada, a vida esquecida da vida. Escrever é liberar. Se expor. Falar bobagem. Se esconder atrás do papel.

E eu queria mais é que não existisse. Que não fosse. Que não doesse. Que não alegrasse. Que não rimasse. Que não. Ou não. E se fosse, que fosse menos ruim.


13:15

26.2.05


Caramba!


Esse mês O projeto Sem Nome fez dois anos. Quase um ano de semi-abandono. Posts esparsos, autor de saco cheio. É isso aí.
Mas continua, até quando der.

Parabéns pro coitado. Eu acho...

06:38

30.1.05


Capítulo 158 - Duas ou três brigas de um casal no início do relacionamento


-Mas por que você não quer conhecer a minha vó?
-Não é que eu não queira, é que eu já tinha prometido à Renatinha ir almoçar com ela hoje.
-Mas vocês se vêem todos os dias, podia ficar um dia longe dela...
-Pôxa, ela acabou de terminar o namoro, coitada! Ela não quer ficar sozinha...
-Se ela precisasse tanto assim de companhia, não tinha terminado o namoro...
-Mas ele era um canalha!
-Bom, ela podia tentar achar um outro cara. Podia ser hoje, que tal?
-Num domingo à tarde?
-Ela podia, sei lá, ir num parque, levar o cachorro pra passear. Pode dar certo...
-Mas ela nem tem cachorro!
-Eu empresto o Brutus.
-Aquele monstro vai é espantar os pretendentes...
-Pro seu governo, o Brutus nunca atacou ninguém, tá?
-Não adianta, eu não vou deixar de almoçar com ela. Domingo que vem a gente vai almoçar com a sua vó.
-Mas eu já avisei a vovó que ia te apresentar a ela. Coitada, vai ficar tão desapontada...
-Pois você devia ter me consultado antes.
-Consultar? Eu só disse que ia almoçar com a minha vó, não comprei uma casa no nosso nome!
-Pois eu não vou e pronto! Tá rindo do quê?
-Nada não...
-Fala, vai! Tá rindo do quê?
-É que essa é a nossa primeira briga...
-E que tem de engraçado nisso?
-Nada, só achei bonitinho...
-Bonitinho, é?
-É, e você fica linda quando fica nervosa... Olha aí, tá rindo também...
-Você é um bobo, sabia?
(beijos, beijos, beijos)
-Sabe de uma coisa?
-O quê?
-E se a gente ficasse aqui?
-Nada de almoço?
-Nem de avós, nem de amigas...
(mais beijos...)

***

-Vamos logo ou a gente vai se atrasar!
-Só estou terminando de me maquiar!
-Maquiar? A gente só vai no cinema!
-E só por isso eu preciso sair feia?
-Feia? Você é linda de qualquer jeito, com maquiagem ou sem.
-Sei, tá dizendo isso só pra eu ir logo...
-É verdade. Você é um dragão e eu só tô com você pela fortuna da sua família.
-Que fortuna?
-Eu tava só brincando... agora vê se termina logo de se arrumar.
-Já tô terminando. E se a gente chegar um pouquinho atrasados, qual o problema? Eles sempre passam aqueles trailers intermináveis antes do filme...
-É, mas daí a gente não vai conseguir um bom lugar...
-Um bom lugar pra que? A gente vai no cinema e não vê o filme mesmo...
-E você acha ruim?
-Não é que eu ache ruim... mas se for pra ficar namorando, a gente podia ficar em casa mesmo...
-Mas no cinema é mais gostoso... além do mais o filme que a gente vai ver hoje parece ser bom, a gente pode até assistir...
-Sei não... da última vez que você falou que o filme parecia bom...
-Ah, vai... até que era bom...
-Você dormiu no meio do filme!
-Dormi nada! E você já terminou de se maquiar?
-Já, agora só falta eu escolher um sapato.
-Ai, não! A gente não vai sair daqui nunca!
-Pelo menos eu não saio toda desarrumada que nem você.
-Eu? Mas eu tô arrumado!
-Ah, é? E essa camisa toda amassada?
-Ela tava passada, mas você demora tanto que eu me sentei e aí ela amassou...
-E esse tênis velho? Qual a desculpa?
-Eu gosto dele, tá? Mas que implicância com as minhas roupas!
-Você que começou a implicar comigo! Tá rindo do que de novo? Toda a vez que a gemte briga você começa a dar risada?
-E que essa é a nossa segunda briga...
-É nada...
-Claro que é!
-E aquela no supermercado por causa do pão integral?
-Aquilo nem foi uma briga direito...
-Claro que foi! Você ficou uma semana reclamando ainda por causa do tal do pão!
-Também, era ruim igual não sei o quê! Nem você gostou...
-É, mas um dia você vai me agradecer por estar bem de saúde.
-Se for pra continuar comendo essas coisas horríveis, prefiro morrer logo...
-Aí, tá vendo? Continua brigando por causa do pão!
-E você continua linda quando fica nervosa...
-Ah, nem vem com esse papo pra cima de mim, não!
-Ah, é assim? Eu te elogio e você acha ruim? Quer saber, até perdi a vontade ir ao cinema! O filme já deve ter começado mesmo...
-Então não vá, oras! Eu vou sozinha!
-Por mim! Não tô nem aí! Ei, isso dói!
-Ai, me solta!
(sexo selvagem...)

10:45

4.12.04


Capítulo 157 - Adesivos para o seu carro


"É roubado mas é meu."

"É roubado, sim, e daí?"

"Isso não é um adesivo de carro."

"Cuidado, estou sem freios." (assim, sem ponto de exclamação mesmo)

"Devagar, criança ao volante."

"Olha o passarinhô!" (alguém já fez esse, né?)

"Não olhe agora, mas tem alguém nos perseguindo"

"Mande lembranças pra tia Emenengarda"

"E se eu atropelo um gato sem querer? Hein?"

"Se alguém perguntar, sou O+"

"Tá me seguindo por quê?"

"O que é isso no seu banco de trás?"

"Desculpe, minha mãe não me deixa andar a mais de 40km/h"


11:23

19.11.04


Capítulo 156 - Ela


Eu já estava no segundo copo, mesmo bebendo devagar. Dezessete minutos atrasada. Será que ela viria mesmo? Por que haveria de se importar com alguém como eu?

-Aparecer na tv não é nada - ela me disse entre uma baforada e outra do cigarro de menta que ela fumava - você não é melhor ou pior do que ninguém só por que apareceu na tv. A fama só serve pra acabar com a sua privacidade. E o dinheiro... bem, o dinheiro é bastante útil enquanto não desaparece da sua mão.
Eu olhava entediado para as pedras de gelo no fundo do meu copo.

Quase não acreditei quando ela entrou. Ela veio mesmo. Corri em sua direção e logo me apresentei, dizendo que estava muito feliz por ela ter aceitado o meu convite. Ela disse que dois anos atrás eu sequer conseguiria conversar com ela, mas hoje em dia os antigos fãs mal se lembram dela, imagine convidá-la para sair. Eu disse que uns amigos nem acreditaram que eu ia sair com uma estrela da televisão e que eles lembravam bem dela. Ela apenas sorriu, como um adulto sorri quando uma criança fica impressionada por algo trivial.

-Você é quem eu estou pensando que é?
-Se você está pensando que eu sou alguém que lê mentes, então está errado.
Ela sorriu. Eu sorri, muito mais pela felicidade de falar com ela do que pelo gracejo.
-É claro que você é quem eu estou pensando que você é! Sou o seu maior fã!
-Acho que hoje em dia você é o meu único fã.

Suas pernas eram lisas como nos meus sonhos. Seus seios, ainda mais lindos. Ela tinha um gosto que eu jamais imaginara. Como pude nunca imaginar que gosto ela tinha? Seu perfume era doce e os fios de cabelo eram grossos e bem cuidados. Seus gemidos pareciam muito mais verdadeiros agora do que quando eu os ouvia nas cenas mais picantes da tv. Acho que eram gemidos de prazer.

-Você já sonhou muito com algo e quando realizou parecia que não era verdade?
-Já. E quando virou coisa do passado eu percebi que não aproveitei nada e que não ia ter outra chance de realizá-lo.
-Você se arrepende disso?
-Talvez. Mas se eu tivesse a sorte de ter aproveitado não teria aprendido nada.
-Você acha que eu devo aproveitar isso tudo que está acontecendo agora?
-Deve. Quando você morrer, tudo o que você aprendeu não vai valer de nada.

Da segunda vez que conversamos, tomei coragem de convidá-la para sair. Ir a um bar, um restaurante, enfim, algo mais sério. Ela aceitou com uma naturalidade que me chocou.

Depois que terminamos, ela acendeu mais um cigarro de menta. Pensei em perguntar se tinha sido bom, mas achei ridícula a idéia. Eu não sabia o que falar nem o que fazer. Ela disse que era melhor que aquilo ficasse entre nós. Uma velha canção tocava no rádio.

Ela enrubesceu. Achei que você estivesse acostumada a ouvir elogios. Nunca me acostumei a ouvir elogios tão sinceros.

Entrei no apartamento tentando não demonstrar muita curiosidade, mas acho que não consegui disfarçar muito bem. Era um apartamento comum. Cortinas comuns, mesa comum, cama comum. Eu era o único objeto estranho naquele lugar.

Fui até o banheiro, olhei o meu rosto no espelho e nada havia mudado. O mesmo rosto desbotado e apático de sempre. Voltei para o quarto e ela olhava para o teto.
-O que há de tão interessante aí em cima? - e me deitei ao lado dela pra poder olhar também.
-Nada, é por isso que eu gosto de olhar pra lá.
-Por isso que você se interessou por mim? Por que eu não tenho nada de interessante?
-Todo mundo tem algo de interessante. É por isso que eu olho para o teto de vez em quando, quando quero esquecer as pessoas.
-E por que você quer esquecer as pessoas agora?
-Eu queria mesmo é esquecer de mim mesma. Agora, olha para o teto e vê se me esquece... - e riu.

Eu estava triste no meu canto, vendo todas aquelas pessoas passando, quando reparei em uma mulher sentada numa mesa lá do outro lado. Era ela.

01:26

29.10.04


Capítulo 155 - Canção do índio triste



Olha, chefe
Tem uma nuvem em cima de mim
Ela é pequena mas é cinza e carregada
E chove todo dia antes do pôr do sol

Olha, chefe
Essa nuvem que me segue por toda parte
Nunca molha ninguém além de mim
Quando chove todo dia antes do pôr do sol

Sabe, chefe
Não que eu ache ruim tomar banho de chuva
Ou ser atingido de vez em quando por um raio
Da chuva de todo dia antes do pôr do sol

Mas, chefe
Podia pelo menos ter um arco-íris bem bonito
Em cima de mim, depois que parasse
De chover todo dia antes do pôr do sol.

Aí sim, eu seria feliz...

10:25



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